Sei toda a sua história mal falada. E é por isso que me acostumo ou tento. Sabe por que sei? Porque as fofocas não andam. Voam. Porque você não pode mais sair com o padeiro, entregador de pizza, mecânico, advogado, sem que as pessoas dão conta de nossas vidas. Logo vem com os somente mizeros, elegantes, bizarros e impecáveis defeitos. E mesmo que você fale que a panela ta queimando, que deixou a água pra encher do balde ligada e pode derramar, que tem que mexer o brigadeiro senão empelota, que vai arrotar, elas não param de falar da vida ou dos mizeros, elegantes, bizarros e impecáveis defeitos. Mesmo que eu disser que o amarei, que terminarei, que vou continuar dando pra você, as linguarudas do tititi não param! Um relacionamento é bem vivido com duas pessoas em um cômodo ou com a casa do Obama lotada pela vizinhança? É um caso a pensar. Me escondo pra não perder em você ou talvez, pra não me achar alegre e apaixonada. Porque sei de tudo que você aprontou, querido. Sei que você mandou a dona Bentinha ir desenterrar a mandioca com o marido dela, que a sua primeira vez foi no carro com a puta da Ticia, que em plena madrugada você vai pra porta de casa com seu cachorro, só pra ele fazer xixi na calçada da vizinha. Que você flertou com a 'Luisinha pede mais' e ela ficou louca de rolar os olhos. Que você já traiu duas vezes a sonsa da Val e depois você voltou com ela... Traste! E mesmo assim, eu fico rindo de tudo que você fez e tenho medo. De me enrolar demais e não saber sair. Tenho práticas a testar contigo, depois de ouvir as fofoqueiras. Que de tão chatas parecem aquele mosquitinho de bunda de cachorro.
RR
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